Logo que comecei a voar, eu lia em muitos lugares a seguinte frase do grande Leonardo da Vinci: “ Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar. ”. De fato, o Sr. Da Vinci tinha razão, ele entendia das coisas.
Quando você voa, parece que colocam um “chip” na sua cabeça e a partir daquele momento você passa a pensar todos os dias no sentimento que teve ao estar no ar e passa a sentir falta de ter aquele sentimento novamente, sentimento que certamente o fará decidir por se tornar um piloto.
Nunca pensei que me tornaria um piloto de Parapente, nunca imaginei que um dia iria trabalhar com isso, as coisas foram acontecendo de forma natural e quando me vi eu já estava completamente envolvido com o esporte.
Meu primeiro contato com o voo livre foi no Rio de Janeiro, na rampa da Pedra Bonita, onde realizei um voo duplo de Asa Delta. Foi incrível, um voo lindo (apesar de curto), com decolagem e pouso perfeitos, tudo certo. Creio que aquele voo foi o suficiente para eu pensar “um dia ainda quero fazer isso”.
Alguns meses depois fui passear no Morro do Careca, na Praia Brava e quando cheguei lá tinha um piloto com um equipamento para realizar voos duplos, mas o passageiro dele ainda não havia chegado e dessa forma ele precisava de um passageiro aleatório (carinhosamente chamado de presunto) para fazer peso, pois o seu parapente era de voo duplo e por ser muito grande, não poderia voar sozinho. Candidatei-me a “presunto” e decolei com aquele piloto até então desconhecido. O voo foi ainda mais incrível do que o de asa-delta, os balanços que acontecem no parapente são mágicos, fazem você se sentir criança novamente, e eu não conseguia parar de rir, um pouco de nervoso e um pouco de feliz, “adrenado”, relaxado, não sei, só lembro que a sensação era maravilhosa.
A partir deste segundo voo, sendo o primeiro de parapente, eu tinha certeza de que um dia me tornaria um piloto, era aquilo que eu queria pra mim. Conversei com um amigo meu que era instrutor, falei com outro amigo para começarmos o curso juntos e ali foi o início de uma história que neste ano está completando 10 anos.
Voar de Parapente é fascinante, imagine você poder levar sua “aeronave” numa mochila nas suas costas, poder pegar a mochila, jogar no porta-malas do seu carro (ou nas costas para os motoqueiros) e levá-la para uma montanha, onde em 5 minutos tudo está pronto para você decolar e ficar voando o tempo que você quiser, enquanto o vento permitir.
No voo que realizamos no litoral (chamado de “lift”), voamos com o vento que vem do mar, bate na montanha e sobe. Este vento ascendente é o que nos permite voar, ficamos literalmente “surfando” nas ondas de vento das montanhas, exatamente igual os pássaros fazem, planando e curtindo aquele vento na cara.
Desconheço outra atividade onde você possa voar, diretamente em contato com o vento, sem nenhuma cápsula ao seu redor, nenhuma janela, nada, é só você e o mundo a sua volta. Não tem barulho de motor, cheiro de gasolina, alguma propulsão externa, nada, é somente você, seu equipamento e o vento, ah, e algumas aves para lhe auxiliar neste voo incrível.
Após estes 10 anos de voo, sendo 6 realizando voos duplos, tive a oportunidade de levar mais de 1.100 pessoas para voar comigo, dentre estas pessoas estavam: crianças a partir de 2 anos de idade acompanhadas do pais (neste caso fazemos um voo triplo), pessoas com necessidades especiais (cadeirantes, paraplégicos), idosos de até 93 anos de idade, pessoas com sobrepeso (o maior tinha 140kg), enfim, pude perceber que o voo de parapente abrange um público imensurável e por mais que a pessoa sinta medo, deveria um dia experimentar para poder entender um pouco do que sentimos, pois explicar é quase impossível.
Voar, definitivamente não é um privilégio somente dos pássaros, logicamente que eles são os mestres, mas nós, humildemente pedimos licença para dividir os ares com eles e desfrutar desta maravilha que

Fevereiro de 2019 em Malibu – CA – EUA
Pico do Atalaia em Itajaí – SC
Rio de Janeiro – Pedra Bonita – Março de 2019

By Dudu Parapente

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