Muita gente quando tem o primeiro contato com o Parapente (normalmente através de um voo duplo) pergunta como funciona uma competição de Parapente e faz diversas perguntas do tipo:

Mas como que ganha?
É quem voa mais alto?

É quem dá mais “cambalhota”?

É a vela mais bonita?

Ganha quem voar mais longe?

Bom, para tirar todas estas dúvidas resolvi escrever sobre competições de Parapente.

E você? Faz ideia de como funciona? Vamos lá.

Existe, basicamente três tipos de competições atualmente, são elas: Permanência e Pouso, Acrobacias e Cross Country.

Vamos explicar detalhadamente como funciona cada uma:

  1. Permanência e Pouso: Esta é uma das modalidades mais praticadas em festivais de Parapente no Brasil e no mundo, é uma modalidade fácil de organizar e bem atrativa ao público, pois o pouso de todos pilotos é num local fixo, como em uma praia por exemplo, aqui na nossa região. O piloto precisa ficar voando durante o tempo pré-estabelecido pela comissão técnica da prova (30 minutos por exemplo) e pousar na “mosca”, ou alvo, que normalmente é um “tapete” de 4m² aproximadamente. O piloto que mais se aproximar do tempo pré-estabelecido ganhará uma pontuação maior e se ele pousar na “mosca” ganhará ainda um bônus. Em competições de alto nível normalmente o erro é por alguns poucos segundos e existem casos ainda onde o piloto não erra em nada, pousa no tempo “cravado” em cima da mosca, fazendo uma prova perfeita. Esta é, normalmente, a porta de entrada para competições de quem está iniciando no esporte.
  • Acrobacias: Esta modalidade é bastante praticada no Brasil, porém, é quase inexistente as competições por aqui ainda. Trata-se de um verdadeiro show, onde o piloto precisa executar as acrobacias pré-estabelecidas de uma maneira “limpa”, sem falhas. Se parece muito com uma competição de Ginástica Olímpica, onde a apresentação já tem uma nota fixa de acordo com sua dificuldade e quando acontecem os erros os juízes vão descontando pontos, ou seja, quando maior a dificuldade da acrobacia, melhor será a nota, desde que não haja falhas. É uma prática que requer treinamento intensivo, de preferência em cima de uma lagoa, com colete salva-vidas e orientação de um profissional. É bastante comum que algo saia errado e é preciso lançar o paraquedas reserva, por isso deve ser praticada com bastante altura. Hoje em dia existem acrobacias incríveis com um Parapente e o nível está altíssimo No Brasil temos um piloto chamado Rafael Goberna que vem se destacando muito nas competições internacionais.
  • Cross Country (ou XC): Esta modalidade é incrível, funciona como uma “corrida no ar”, muito parecida com um Rally de velocidade. A comissão técnica da prova estabelece qual “caminho” (chamado de waypoints, ou pilão), precisará ser percorrido antes dos pilotos decolarem e tudo é colocado no GPS, que irá gravar todo o voo. Todos pilotos têm aproximadamente uma hora e meia para decolar, porém a corrida começa somente a abertura do “start”, vamos exemplificar aqui na nossa região para que haja um bom entendimento: Vamos supor que a prova vai acontecer nas proximidades de Itajaí e temos os seguintes “waypoints”:

01 – Parque da Atalaia – Decolagem (start) – a partir das 12:00
02 – Centreventos da Marejada – Waypoint 01

03 – Igreja Matriz – Waypoint 02

04 – Parque do agricultor (festa do colono) – Waypoint 03

05 – Morro da Cruz – Waypoint 04

06 – Praia da Atalaia – Pouso (GOAL)

Todos pilotos irão decolar do “Parque da Atalaia”. A decolagem inicia as 12:00 horas, porém o “start” da prova será somente as 13:30, durante este tempo os pilotos devem ficar voando por cima da decolagem, num “raio” de 3 quilômetros, e só poderão sair assim que iniciar a prova, por isso é comum de ver um “vespeiro” de parapente antes do “start”, pois todos estão buscando melhor posicionamento e altitude para iniciar sua corrida.
Nesta nossa corrida fictícia, assim que iniciar a prova, ou seja, as 13:30, os pilotos precisarão passar voando por cima do Centreventos (waypoint 01), que será nosso primeiro “waypoint” ou “pilão”, logo após por cima da Igreja Matriz (waypoint 02), seguindo para o Parque do Agricultor (waypoint 03), voltando para o Morro da Cruz (waypoint 04) e pousando na Praia da Atalaia, que será chamada de GOL (goal). O piloto que fizer todo este trajeto no menor tempo será considerado o vencedor da prova. Se ninguém conseguir chegar no GOAL, será considerado vencedor o piloto que completar a maior parte da prova, ou seja, o que voar mais longe.

Espero que tenham compreendido um pouco de como funcionam as competições de parapente, sabemos que é um “mundo” a parte, muito específico e talvez um pouco difícil de compreender, mas depois que começamos a voar e praticar tudo vai ficando mais claro.

As competições, além de servirem para elevar o nível dos atletas também servem para integração dos pilotos e como “testes” para novos equipamentos.

Logo logo teremos o Festival de Parapente de Itajaí, que será na modalidade de Permanência e Pouso, e você, será perito no assunto! Até lá!

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